quinta-feira, 27 de março de 2014

RJM - Retiro Jovem Mercedário


A PJ - Guadalupe organiza neste sábado o RJM: Retiro Jovem Mercedário!
 
A expectativa dos jovens da comunidade é muito grande.. Após o retiro colocaremos aqui as fotos.. Acompanhe!

segunda-feira, 17 de março de 2014

O catequista e a internet

 
Nos ultimos tempos estamos diante de uma intensa mudança na comunicação humana, que se desloca para as redes informáticas e tem alterado toda a noção de mundo até então conhecida. É a revolução Telemática. É um novo contexto existencial que desponta num novo ambiente, virtual. É um verdadeiro espaço humano, pois já é habitado pelo homem. O real e o virtual se misturam. E, as pessoas estão cada vez mais conectadas: 24 horas. Haja vista os smartphones. Diminui assim a noção de público e privado e de real e virtual. 
 
Sentidos como a visão e audição reinam como absolutos neste meio. O modo como a experiência na internet acontece passa prioritariamente por este sentidos. E isso impacta ativamente a religiosidade das pessoas. Pode-se aprofundar a fé e até ser ambiente propício para uma autêntica experiência de Deus. João Paulo II prenunciava uma “divinização da engenhosidade humana” e o Bento XVI definiu como “um verdadeiro dom para a humanidade.” Assim sendo, devemos ter um olhar crítico, mas indubitavelmente positivo em relação as novas mídias. O ambiente virtual possui linguagem própria. Mesmo no mundo real percebe-se que tal linguagem tem interferido na maneira de comunicar. Verbos que fazem parte do fundamento cristão como salvar, converter e com-partilhar mudaram seu sentido a partir da rede. Exige de nós esforço e abertura, principalmente para dialogar com aqueles que chamamos de nativos da rede. 
 
Uma das premissas básicas da internet é ser democrática. Há espaço para todos exporem sua opinião. Mesmo que com isso se cometa crimes como bullying, racismo, pedofilia etc. Na rede encontramos lado a lado coisas que pareciam opostas, desde visões ultra conservadoras a liberais, de fundamentalismos cegos a relativismos vazios,  de conteúdos edificadores e densos a preconceituosos e estéreis, enfim, corre-se o risco, sem discernir sobre aquilo que nos é apresentado na internet, de pegar elementos destoantes da fé cristã e fazer um estranho mosaico psico-espiritual. Por mais que estamos na era da subjetividade, onde o indivíduo valoriza a experiência pessoal e assume para si o que lhe aprouver, a Fé cristã tem uma característica cara: a Tradição apostólica. Somos herdeiros do anúncio do núcleo da Fé em Jesus Cristo. 
 
Na história do Cristianismo e no processo de inculturação, se assimilou diversos elementos que ajudaram ou atrapalharam a vivência da Fé cristã. As mídias comunicacionais ampliam este processo de inculturação. Para o bem, ou para o mal. 
 
Mas como discernir entre aquilo que é coerente com o núcleo da Fé e aquilo que é uma interpretação pessoal e sem fundamento? As mídias tornam visíveis as diversas propostas de caminho. Só uma formação sólida da Fé cristã somada com um senso crítico amadurecido ajudará, principalmente o catequista, a se orientar quando navega na rede. Com isso, o apurado o contato com a diversidade poderá ser uma oportunidade para o Ecumenismo, onde podemos conhecer o que o outro tem diferente de nós e também o que tem de semelhante e em que pontos podemos dialogar e nos respeitar. Outra dica é buscar sites recomendados pelas coordenações diocesanas e olhar a fonte, geralmente com o nome Institucional ou Quem Somos. Não se iludir com sites de determinados grupos representativos da catolicidade sejam impecáveis no conteúdo apresentado na net, nem blogs que geralmente servem para visibilizar a opinião pessoal do desenvolvedor. Na dúvida dialogue.
 
Cuidado especial em “pegar” encontros catequéticos prontos da rede. Não existe material perfeito de catequese. Aquele encontro escrito num site de catequese pode ter dado certo numa realidade, mas não significa que dê certo na sua realidade. Como ajuda para discernir a CNBB lançou o estudo nº 53 - Textos e manuais de catequese - onde diante de um material o catequista deve questionar se: “educa para uma fé engajada, no seguimento de Jesus Cristo, na comunidade eclesial, a serviço da transformação evangélica da sociedade? Favorece a criatividade e a consciência crítica? Estimula a espiritualidade profética? Impulsiona a contínua educação comunitária da fé?” 
 
Uma coisa valiosíssima do catequista é a criatividade. Hoje a internet abriu um leque enorme de possibilidades. De certa forma deixou o perigo da falta de criatividade pessoal do catequista, se este depender unicamente do que encontrar na internet para compor seus encontros. Soa até comodismo. É preciso valorizar a criatividade pessoal com bom gosto e boa formação, mesmo usando a internet para incrementar ideias. 
 
Precisamos sempre é ter um eixo central para o qual vamos usar os recursos assumidos da Internet. Nossa catequese não pode se resumir em recursos, mas pensemos: qual mensagem queremos transmitir e fazer comunhão? Tudo que Jesus fez, viveu e morreu foi pelo Reino do Pai. Sendo assim, este também deve ser nosso eixo: fazer com que os catequizandos se encantem pela pessoa de Jesus e sua mensagem radical do Reino. Quando pegamos algum recurso na internet devemos ter lucidez sobre o que vai me ajudar a transmitir a mensagem do mestre Jesus e levar ao seguimento/discipulado. 
 
Saibamos fazer escolhas que não destoem da mensagem de Jesus nem da realidade que vivemos. Do contrário corremos o risco de fazer encontros bonitinhos esteticamente por que vimos na internet, mas vazios de mensagem ou resposta interior dos catequizandos. Como a internet aceita tudo, muita coisa não passou pelo crivo da discussão entre o grupo de catequistas e da mensagem cristã. Vale a pena planejar os encontros com o grupo de catequistas e, se possível, chegar ao ponto de perguntar ao padre sobre certos encontros /conteúdos propostos na internet.
 
Ricardo Diniz de Oliveira
 
FONTE: Equipe do Catequese Hoje

quinta-feira, 13 de março de 2014

Francisco: um ano do papa que renunciou à 'corte'

O que surpreende entre aqueles que estão mais próximos dele é sua "determinação".
 
 
*Por Andrea Tornielli

A imagem de Francisco sentado na quarta fileira entre os demais cúrias que fazem com ele os exercícios espirituais, em Ariccia, é emblemática deste primeiro ano do Pontificado. E comprova que, para ele, a autoridade é, acima de tudo, serviço. O cardeal Antonio Quarracino, que em 1992 o quis como “braço direito”, dizia que: “Sempre sei onde encontrar meu auxiliar Bergoglio. Na última fileira...”. E mesmo após ter sido ordenado cardeal ou durante suas visitas às “vilas misérias”, as favelas de Buenos Aires, Bergoglio sentava-se apenas nas últimas fileiras. Por este motivo não foi difícil para ele renunciar a alguns símbolos que o papado herda ao longo de séculos de história e de costumes imperiais. Um estilo que é também substancial e o que o tornou mais próximo e acessível.

Na suíte 201 da Casa Santa Marta, a luz do quarto do papa (que tem móveis de nogueira), acende-se cedo, as 4h30min da madrugada. Durante duas horas, Francisco permanece sozinho, em oração, meditando sobre as Leituras do dia e preparando a breve homilia que irá pronunciar. Pouco antes das sete, o papa vai sozinho à capela, onde aguarda cerca de 50 pessoas, alguns sacerdotes e os dois secretários: Alfred Xuereb e Fabián Pedacchio.

Os fiéis chegam todos os dias, vindos de diferentes paróquias romanas: como não pode visitar a todas, Bergoglio os convida a ir a sua casa. As pregações de Santa Marta são a novidade mais significativa do Pontificado: simples, compreensíveis e profundas.

Ao final da Missa, o papa se senta ao fundo da Igreja para rezar em silêncio durante alguns minutos. Em seguida, sai e saúda a todos os presentes (um a um). O café da manhã, às 8 horas, é no refeitório. É ali onde o papa almoça e janta (às 13 e às 20 horas, respectivamente). Pela noite, o serviço para os hóspedes da residência oferece apenas um primeiro prato. E depois, cada convidado, incluindo o Papa, se levanta e escolhe um segundo no buffet, “Eu preciso viver entre as pessoas. Se vivesse ilhado, isso não me faria bem”, explicou. Uma decisão, a de viver na Casa Santa Marta, que acabou por desestruturar, em poucos meses, a velha corte pontifícia. 

Os dias do papa seguem com intensidade. Além das audiências, dos encontros oficiais, das visitas dos chefes de estado, dos informes e práticas que vem da Secretaria de Estado e das Congregações, Francisco encontra tempo para ler pessoalmente, todos os dias, cerca de cinquenta cartas dentre as milhares que recebe de pessoas comuns. Algumas delas, após terem permanecido algum tempo sobre sua mesa, são o motivo das famosas ligações que o papa faz sem intermediações. Com Francisco também mudou o papel dos secretários particulares: já não acompanham o papa durante as audiências nem durante suas viagens; tornaram-se “invisíveis”. Como ocorria nos tempos de Pío XII, que trabalhava com alguns padres jesuítas que permaneciam a sombra. Pouco após sua eleição, Francisco revelou ao seu amigo Jorge Milia: não quer que seus colaboradores sejam os que dirigem sua agenda, os que estabelecem quem pode e não pode receber. E, efetivamente, é ele quem organiza, pessoalmente, muitos de seus encontros. 

O que surpreende entre aqueles que estão mais próximos dele é sua “determinação”, como contou o secretário Xuereb à Rádio Vaticana: “Trabalha incansavelmente e, quando necessita de um momento de pausa, senta-se e reza o Rosário. Creio que reza, pelo menos, três ao dia. Disse-me: ‘Isto me ajuda a relaxar’”. 

Uma atenção especial e com muita dedicação é dada aos encontros com os doentes. Durante as audiências das quartas-feiras passa horas abraçando os enfermos. “E isto porque – destacou Xuereb – ele vê neles o corpo de Cristo que sofre”. Uma tarefa que faz com que deixe em segundo plano até mesmo seus próprios mal-estares. “Durante os primeiros meses de Pontificado – contou o secretario – tinha fortes dores de cabeça devido ao ciático. Os médicos o aconselharam a não se agachar, mas ele, frente aos doentes nas cadeiras de roda ou as crianças enfermas em seus carrinhos, inclinava-se sem importar-se”.
 
Vatican Insider, 11-03-2014.
 
FONTE: Dom Total

quinta-feira, 6 de março de 2014

Campanha da Fraternidade e Quaresma. Uma visão atualizada, orante e vivencial

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A Igreja Católica, depois do breve e revolucionário papado de João XXIII, entrava na fase final do Concílio Vaticano II, já sob o cajado de Paulo VI. O momento era de profunda reflexão da Igreja sobre seu papel na História, buscando rever seus compromissos, suas raízes mais evangélicas e maior coerência entre Fé e Vida.
 
O Brasil vivia a efervescência política provocada pelo Golpe Militar.
 
Em 1964, parte significativa dos bispos brasileiros, em sintonia com os ventos renovadores que vinham do Concílio, queriam aproveitar o momento rico do Tempo da Quaresma, tempo de conversão e penitência, para convocar os católicos a participarem de uma reflexão que começava por rever e atualizar os próprios conceitos de Conversão e Penitência, até então muito ligados à ideia de sacrifícios físicos e mortificação dos sentidos.
 
A catequese quaresmal tradicional corria o risco de valorizar mais a exterioridade das celebrações pomposas, da ritualização de tradições e costumes, em especial da Paixão, que o chamado pascal mais profundo, questionador e transformador, rito de passagem para uma Vida Nova.
 
Ainda hoje, na cobertura que se vê na grande mídia, o destaque é dado a eventos como a Procissão do Fogaréu, em Goiás, a encenação da Paixão ao vivo, em Nova Jerusalém, Pernambuco e outros de conteúdo mais turístico que religioso.
 
Nesse contexto histórico e cultural, a Campanha da Fraternidade surge como um convite a refletir sobre o sentido de uma verdadeira conversão, que se traduz em mudança de rumo na vida pessoal e comunitária, e do significado vivencial da penitência, umchamado a voltar-se para Deus, buscando “amá-lo de todo coração e de toda a alma e de todo o entendimento e de todas as forças; e amar ao próximo como a si mesmo” (Marcos 12:30-31), sempre a partir de um tema específico, enraizado na realidade, e renovado a cada ano.
 
Em 1964, significativamente, o tema foi “Igreja em renovação” com o lema: “Lembre-se, você também é Igreja.”     
 
Através dele, retomava-se, bem dentro do espírito do Vaticano II, o significado maior da expressão “Povo de Deus”. A Igreja, sublinhavam os bispos conciliares, não é apenas uma instituição constituída por padres, freiras, religiosos e religiosas, clérigos em geral. É Povo de Deus em comunhão,ou seja, o leigo cristão era chamado a ocupar o lugar que sempre foi dele. Em síntese: não bastava mais ao cristão IR À IGREJA. O convite, a missão, é SER IGREJA!
 
Depois de uma série de temas voltados para a renovação do espírito eclesial da comunidade católica, como “Faça de sua paróquia uma comunidade de fé, culto e amor” (1965), ou “Ser Cristão é participar” (1970), com o lema “Comece em sua casa”(1977), a Igreja ampliava seu olhar que, da contemplação ativa da realidade mais próxima, mais doméstica, estendia-se para a realidade em volta.
 
O que se via então, em meados da década de 1970, era um Brasil oprimido pelo regime militar, sufocado por uma crise econômica permanente que gerava recessão, desemprego e miséria. Quem ousava protestar, contestar, sofria a violência da repressão que não deixava espaço àqueles que lutavam pela restauração da democracia no País.
Em 1978, com coragem profética, o lema da Campanha clamava “Trabalho e Justiça para todos!”
 
Desde então, a cada ano, temas ligados à realidade mais cotidiana, desafios em todas as áreas, questões de cidadania, contradições políticas e econômicas, tudo tem sido ponto de partida para um VER, JULGAR e AGIR dos cristãos.
 
Importante lembrar que desde o ano 2000 a Campanha da Fraternidade abriu-se também a uma construção ecumênica, ao lado de outras Igrejas Cristãs.
 
A Campanha da Fraternidade acontece durante o Tempo litúrgico da Quaresma, ou seja, o período de quarenta dias que vai da quarta-feira de cinzas ao domingo de ramos, que abre a Semana Santa.
 
Na simbologia bíblica, o número 40 tem a ver com tempo de recolhimento, renovação profunda, preparação para fazer nascer o NOVO. Por quarenta dias, choveu sobre a Terra, na parábola do Dilúvio. Por quarenta anos, o povo hebreu foi peregrino, em busca da Terra Prometida. Por quarenta dias, Jesus esteve no deserto, em jejum e oração, antes de dar início à vida pública. Na linguagem corriqueira, a palavra “quarentena” também é utilizada para falar de um tempo de recolhimento, em geral para cuidar da saúde ou fazer prevenção de alguma enfermidade.
 
Durante a Quaresma, somos, portanto, convidados a fazer essa experiência de “recolhimento”, de “deserto”, em que, pelo jejum (simplicidade) e oração (vida interior), buscamos conversão (mudança de rumo, renovação) e penitência (buscar a intimidade com Deus). E como o encontro íntimo e pessoal com Deus acontece no cotidiano, a Igreja, a cada ano, propõe que a vivência quaresmal se traduza também em esmola (gestos concretos de fraternidade e solidariedade, em especial com os mais necessitados). Tudo a partir de um tema concreto, enraizado no cotidiano, que nos ajude a buscar uma coerência sempre maior entre fé e vida.
 
Ao fim dessa caminhada de quarenta dias, chegamos à Semana Santa, cujo auge é a celebração pascal do Cristo Vivo, presente no meio de nós. Ele nos convida a passar do túmulo à alegria, da morte à vida, do egoísmo ao amor, do pecado à santidade. Passar de uma fé amedrontada para uma fé esperançosa.
 
A mística pascal nos revela que o contrário do amor não é o ódio, o contrário do amor é o medo de amar. Por isso, para viver a Páscoa, é preciso coragem e disposição para experimentar no coração as virtudes teologais da Fé e da Esperança, que nos conduzem à possibilidade do Amor, do amar e ser amado.
 
Neste ano de 2014 o tema proposto pela Campanha é “Fraternidade e Tráfico Humano”, com o lema “É para a liberdade que Cristo nos libertou”.
           
Eduardo Machado
Escritor e coordenador de Pastoral do Colégio Imaculada em Belo Horizonte

quarta-feira, 5 de março de 2014

Tráfico humano, realidade a ser combatida

É na idolatria do dinheiro que se encontra a origem desse mal, alerta a CNBB.

Por Dom Canísio Klaus*

Nesta quarta-feira (5), em todas as paróquias do Brasil, foi lançada a Campanha da Fraternidade com o tema "Fraternidade e tráfico humano". Entre os objetivos está o de conscientizar a sociedade sobre a insensatez do tráfico de pessoas e sobre a sua realidade. Conforme a CNBB, o problema é difícil de ser enfrentado por causa do preconceito e do medo das vítimas, fazendo com que poucas pessoas denunciem os fatos do tráfico.

O período forte da Campanha da Fraternidade é a Quaresma, que inicia na Quarta-feira de Cinzas e termina na Semana Santa. O convite é a conversão em vista de uma melhor vivência do evangelho. É o que expressamos no momento da imposição das cinzas, quando o ministro diz: "Convertei-vos e crede no Evangelho"!

A problemática do tráfico humano se manifesta na exploração do trabalho escravo, na prostituição, na adoção ilegal de crianças e na venda de órgãos para o transplante. O Texto Base da CNBB diz que dentre os meios usados para o tráfico de pessoas, o mais comum é o aliciamento. "A pessoa é abordada com uma oferta irrecusável, que lhe promete melhorar de vida". Os traficantes recrutam pessoas “para atividades como modelos, talentos para o futebol, babás, enfermeiras, garçonetes, dançarinas ou para trabalhar como cortador de cana, pedreiro, peão, carvoeiro, etc."

O tráfico humano gera uma grande renda aos traficantes, razão pela qual consegue se cercar de diversos profissionais que falsificam documentos, organizam o transporte e a hospedagem das pessoas e subornam as polícias. Se não fosse um negócio lucrativo, não teria êxito. Por isso, a CNBB afirma que "é na idolatria do dinheiro que se encontra a origem do tráfico humano".

Como cristãos, estamos cientes de que, conforme reza o lema da Campanha da Fraternidade, "é para a liberdade que Cristo nos libertou". Nenhum ser humano pode ser submetido à exploração ou à escravidão, uma vez que são atentados contra a dignidade da pessoa humana.

Uma das nossas maiores riquezas é a liberdade, e esta é tirada da pessoa quando aliciada pelo tráfico. A Igreja quer ajudar a proteger a liberdade das pessoas e libertar aquelas que foram raptadas ou coagidas pelas falsas promessas do tráfico humano.

Convido, pois, as comunidades, grupos de família e pessoas de boa vontade a nos unirmos nesta grande campanha que é promovida pela Igreja no Brasil. Vamos trabalhar na conscientização das pessoas e ficar alertas para as situações de tráfico que, eventualmente, possam estar ocorrendo no nosso entorno. "Comprometidos na superação deste mal, vivamos como filhos e filhas de Deus, na liberdade e na paz".
CNBB, 28-02-2014.
*Dom Canísio Klaus é bispo de Santa Cruz do Sul (RS).
FONTE: Dom Total

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

O significado de 'amar o próximo como a ti mesmo'

Nossa bondade é a luz que há de brilhar no mundo para que os homens vejam as boas obras.


Por Dom Antonio Carlos Rossi Keller*

No domingo passado, ouvimos Jesus dizer que não veio revogar, mas dar pleno cumprimento à lei e às profecias. Hoje, continuamos a ler este discurso, tirado do capítulo quinto de São Mateus, conhecido como o Sermão da Montanha. Jesus explica a novidade da Nova Aliança, do Novo Testamento, cuja base está assentada na caridade para com todos os homens! O preceito "de amar o próximo" é antigo! "Amarás o teu próximo como a ti mesmo!" (Levítico 19,17-18) Na prática, esse mandamento limitava-se aos membros do povo bíblico. Jesus alarga o horizonte e pede-nos para amarmos todos os homens, nossos irmãos.

Este amor universal torna-se sinal credível daquele Amor eterno e compassivo de Deus para com toda a humanidade. Por isso, Jesus convida-nos: "Sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai celeste!" Apontando para o exemplo do Pai celeste, que faz brilhar o sol para bons e maus e que manda chover para justos e pecadores, Jesus pede-nos para dar a outra face e amar os inimigos. Jesus aponta-nos uma meta muito alta para não nos contentarmos com a mediocridade. O horizonte do Reino de Deus não fica limitado pelas dificuldades da terra, mas alarga-se até ao Céu!

Deus é Pai de todos. Não podemos classificar os nossos irmãos como bons e maus, com base em critérios ideológicos, religiosos, étnicos ou morais: "Deus não faz acepção de pessoas!" (Romanos 2, 11) Só Deus é termo de comparação para todos, porque Ele é "Clemente e compassivo, paciente e cheio de bondade". E se alguém é mau para conosco não é negando-lhes a chuva e o sol da nossa bondade que se tornará melhor. Além disso, recordemos que "Jesus morreu por nós quando éramos pecadores!" (Romanos 5, 8)

Deus ama gratuitamente! Deus é justo e Santo! Aceitemos o seu convite que nos dirigiu no livro do Levítico: "Sede Santos porque Eu sou Santo!" A nossa bondade para com todos é aquela luz que há de brilhar no mundo para que os homens vejam as nossas boas obras e nos possam reconhecer como discípulos de Jesus e glorifiquem o Pai que está nos Céus! Além disso, o nosso amor fraterno é sinal da nossa filiação divina! Guardemos no nosso coração a Palavra que Jesus nos dirige e ponhamo-la em prática com diligência para alcançarmos a perfeição, a santidade: "Amai os vossos inimigos! Orai pelos que vos perseguem para serdes filhos do vosso Pai celeste!"
CNBB, 20-02-2014.
 
*Dom Antonio Carlos Rossi Keller é bispo de Frederico Westphalen(RS).
 
FONTE: DOM TOTAL

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Francisco: "A paciência do povo de Deus leva a Igreja avante"

A paciência do povo de Deus foi o tema da homilia do Papa Francisco, na missa presidida esta manhã na Casa Santa Marta.

“A paciência não é resignação, é outra coisa”: disse o Pontífice, comentando a Carta de S. Tiago onde diz: “Tende por motivo de grande alegria o serdes submetidos a múltiplas provações”.


“Parece um convite a ser um faquir, mas não é assim”, observou Francisco. A paciência, saber suportar as provações, “as coisas que não queremos”, faz “amadurecer a nossa vida”. Quem não tem paciência quer tudo imediatamente, rápido. Quem não conhece a sabedoria da paciência é um pessoa manhosa, como as crianças que fazem manhas” e nada vai bem. “A pessoa que não tem paciência é uma pessoa que não cresce, que permanece nos caprichos de criança, que não sabe lidar com a vida: ou isso ou nada. Esta é uma das tentações: se tornar manhoso”. “Outra tentação dos que não têm paciência – afirmou o Papa – é a onipotência de querer uma coisa já, como acontece aos fariseus que pedem a Jesus um sinal do céu: “Eles queriam um espetáculo, um milagre”:


Confundem o modo de agir de Deus com o modo de agir de um bruxo. E Deus não age como um bruxo, mas com o seu modo de ir avante. A paciência de Deus. Ele também tem paciência. Toda vez que nós vivemos o sacramento da reconciliação, cantamos um hino à paciência de Deus! Mas com quanta paciência o Senhor nos carrega sobre seus ombros! A vida cristã deve desenrolar-se nesta música da paciência, porque foi justamente a música dos nossos pais, do povo de Deus, dos que acreditaram na Palavra Dele, que seguiram o mandamento que o Senhor deu ao nosso pai Abraão: ‘caminha na minha presença e sê irrepreensível’.


O povo de Deus – afirmou ainda o Francisco citando a Carta aos Hebreus – “sofreu muito, foram perseguidos, mortos”, mas teve “a alegria de vislumbrar as promessas” de Deus. “Esta é a paciência” que “nós devemos ter nas provações: a paciência de uma pessoa adulta, a paciência de Deus” que nos carrega sobre seus ombros. E esta – prosseguiu – é “a paciência do nosso povo”:


Como o nosso povo é paciente! Ainda hoje! Quando vamos às paróquias e encontramos as pessoas que sofrem, que têm problemas, que têm um filho com deficiência ou têm uma doença, mas levam avante a vida com paciência. Não pedem sinais, como esses do Evangelho, que queriam um sinal. Não, não pedem, mas sabem ler os sinais dos tempos: sabem que quando a figueira brota, chega a primavera; sabem distinguir isso. Ao invés, esses impacientes do Evangelho de hoje, que queriam um sinal, não sabiam ler os sinais dos tempos, e por isso não reconheceram Jesus.


O Papa concluiu sua homilia louvando as “pessoas do nosso povo, gente que sofre, que sofre tantas coisas, mas não perde o sorriso da fé, que tem a alegria da fé”:


E essa gente, o nosso povo, nas nossas paróquias, nas nossas instituições, é quem leva avante a Igreja, com a sua santidade, de todos os dias, de cada dia. ‘Irmãos, tende por motivo de grande alegria o serdes submetidos a múltiplas provações, pois sabeis que a vossa fé, bem provada, leva à perseverança; mas é preciso que a perseverança produza uma obra perfeita, a fim de serdes perfeitos e íntegros sem nenhuma deficiência’ (Tg 1, 2-4). Que o Senhor nos dê a todos nós a paciência, a paciência alegre, a paciência do trabalho, da paz, nos dê a paciência de Deus, aquela que Ele tem, e nos dê a paciência do nosso povo fiel, que é tão exemplar”.


FONTE: Santa Sé